Revista Galwan 2019

A pós o primeiro chorinho e os primei- ros cuidados, ainda na maternida- de, antes mesmo de conseguir abrir os olhinhos completamente, o bebê já está na primeira selfie junto com os papais emocionados. Em poucos segundos, essa mes- ma foto é compartilhada com familiares e os amigos mais próximos, para que todos conhe- çam o novo membro da família, estando na sala de espera do hospital, em casa ou numa reunião de trabalho. As diversas telas, de todos os tamanhos, co- nectadas à internet, são capazes de oferecer con- teúdo praticamente ilimitado e atrair os olhares curiosos em todas as idades. Mas o brilho, os sons, as cores e as formas em movimento pa- recem encantar especialmente os pequenos que ainda não falam e estão, aos poucos, desco- brindo as próprias habilidades e tudo o mais. Há, ainda, quem se assuste com um bebê mexendo em um celular, mas esta é uma ten- dência da geração Alpha - bebês nascidos entre 2010 e 2024 -, que é considerada a geração mais conectada de todas, desde os baby boo- mers, nascidos após a Segunda Guerra Mundial. Mas como saber qual o tempo ideal ou a partir de qual idade permitir que os pequenos interajam ou tenham acesso aos eletrônicos? Tatiana Pelissari, que é psicóloga clínica espe- cialista em terapia cognitiva comportamental, diz que não há ainda um consenso entre es- pecialistas da área. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos e Canadá apontam, segundo ela, que os bebês devem ser mantidos longe ou com o mínimo de contato possível com eletrônicos até os primei- ros 18 meses. Já outros estudos apresentados não apontam uma idade mínima, mas destacam que esse período, até os dois anos de ida- de, é o momento no desenvolvimento da criança em que são formados os laços e conexões especialmente com os pais. “Nos 24 primeiros meses de vida, é o período em que a criança está conhecendo, tendo experiência, sa- bendo o que são as coisas ao redor dela, do mundo ao redor, da casa, dos ambientes em que ela está e, sobre- tudo, com a mãe e o pai. E se o bebê não está conectado cognitivamente ao ambiente e aos pais, se está no eletrôni- co, esse bebê começa a criar outros processos cognitivos. Existem riscos dessa conexão ser disfuncional, mas nada comprovado ainda”, destaca a psicóloga. COMPORTAMENTO R e v i s t a G a l w a n • 107

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