Revista Galwan 2019

de brincar com eles para que as crianças possam sentir o aconchego dos pais na pri- meira infância. Até porque, se os pais criam essa conexão com filhos intermediada por ta- blets, notebooks ou celulares, os filhos tam- bém criarão essa relação com os eletrônicos”, diz a psicóloga. Ela orienta ainda que os aparelhos eletrô- nicos não sejam utilizados como distração ou para dividir a atenção do bebê em momentos como a hora de comer, de dormir e de brin- car com os pais. “Desde neném, é preciso estabelecer o tem- po correto das atividades. O tempo de co- mer é só de comer, interagir com a comida. A criança está aprendendo a comer, a co- nhecer o gosto do alimento, aprendendo qual alimento é aquele. Mesmo que a criança ain- da não fale, os pais precisam ajudar o bebê a entender o que está acontecendo e se co- nectar com aquele momento, com a comida. O mesmo vale para a cama, o sono. O con- tato com os eletrônicos tem que ser fora dos momentos de necessidades básicas”, salienta. A proibição não é a melhor escolha, já que os dispositivos fazem parte do mundo desses bebês conectados, e isso é inevitável. O mais importante é que a criança nunca fique so- zinha ao utilizar os aparelhos eletrônicos. Ou seja, os papais precisam ficar atentos ao pró- prio comportamento e devem também orien- tar os filhotes. COMPORTAMENTO Os pequenos nascidos nessa geração com a tecno- logia já altamente presente no cotidiano são mais curiosos e espertos e tendem a evoluir com essa mesma tecnologia. O im- portante, de acordo com a especialista, é saber dosar o uso dos eletrônicos com as atividades e rotinas de cuidados com o bebê. “Tudo é medida. Até um ano e meio, não é ideal o contato constante ou a superexposição do bebê a esse mundo tecnológico e digital, mas muitos pais usam disso para tentar distrair o choro da criança. Cada bebê é único, cada criança vem de uma forma diferente. Às vezes, dois filhos vêm diferentes para os mesmos pais. Então, é difícil dizer não na hora que o bebê está chorando muito, depois que o bebê já co- meu, trocou fralda, a mãe já fez de tudo, está cansada, tentou de todas as formas, e, na hora que ela dá o tablet com um desenho colorido e a criança vê, ela se distrai e para de chorar. É difícil dizer não”, afirma Pelissari. Para a especialista, o principal nessa relação é não permitir que os eletrônicos substituam ou interfiram nos processos de conexão dos pais com o recém-nascido. Por exemplo, é preciso entender o que está acontecendo quando o bebê chora. E a criança não deve ser estimulada a enten- der que, se ela chorar, o pai ou a mãe dará o eletrônico para ela. Porque corre-se o risco de não se saber mais se a criança está chorando por fome, por querer carinho, colo ou alguma outra necessidade básica dela, e os pais passam a não entender ou confundir esses sinais do bebê que, até então, ainda não desenvolveu a fala. “O meu conselho para os pais é que encontrem a me- dida certa para não perder a ligação com seus filhos. Criem essa conexão de estar com eles, 108 • R e v i s t a G a l w a n

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