Revista Galwan 2020
ECONOMIA 2020 será marcado pela crise sanitária que afeta diretamente a economia global. A pro- porção dos efeitos sobre oferta, cadeia de su- primentos, demanda e, portanto, sobre em- prego e renda são desafiadores para os pró- ximos anos. Nesse sentido, é preciso projetar o futuro para conquistarmos grandes trans- formações socioeconômicas. A arquitetura internacional construída após a 2ª Guerra Mundial baseada na coopera- ção multilateral de Breton Woods encontra-se fissurada. No entanto, pelo lado doméstico o Brasil pode sair diferente, mesmo que seja gradualmente se algumas lições desta expe- riência forem compreendidas. Se alcançar- mos o grau de capital cívico mais elevado, há propensão maior de confiança e credibilidade junto à população e aos mercados. Um ponto de disrupção é pensar que a crise do Coronavírus impôs a necessidade de respostas simultâneas às nossas desigualda- des – saúde, saneamento e educação, temas que vieram com intensidade renovada e es- tarão presentes em debates futuros. Por isso, é fundamental olhar para o todo da economia e redefinir prioridades da agenda de crescimento. Se por um lado é desafiador avançar na reforma tributária e nas privatiza- ções, por outro há espaço para remover obs- táculos ao crescimento sustentado. Na área tributária, por exemplo, há sina- lizações para o alcance de maior qualidade das normas, uniformização e consolidação da jurisprudência entre os tribunais e maior trans- parência dos órgãos fiscalizadores. Quanto ao processo de retomada econômi- ca é nítido focar na política de gastos para não agravar o comprometimento com despesas per- manentes. Segundo David Hume, “o homem sá- bio ajusta suas crenças à evidência”. O recente estudo “O impacto fiscal da Pandemia” evidencia que o Brasil pode ultrapassar a barreira de R$ 1 trilhão do déficit nas contas públicas este ano. Isso significa dizer que a dívida bruta do governo pode superar 100% do PIB, dificul- tando o equilíbrio fiscal que vinha sendo a tô- nica da equipe econômica do governo antes da pandemia. Reformas profundas permitem equalizarmos as transformações socioeconô- micas que o país tanto precisa. O verdadeiro desafio, hoje, é administrar a crise construindo o futuro. é fundamental olhar para o todo da economia e redefinir prioridades da agenda de crescimento. Se por um lado é desafiador avançar na reforma tributária e nas privatizações, por outro há espaço para remover obstáculos ao crescimento sustentado. ECONOMIA PAULO HENRIQUE CORRÊA é graduado em economia pela Ufes, com pós-graduação em finanças corporativas pela FGV/RJ e mestrado em gestão empresarial pela FGV/RJ. Agente de investimentos autorizado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e sócio da Valor Investimentos. O desafio de administrar a crise CONSTRUINDO O FUTURO 108 • R e v i s t a G a l w a n R e v i s t a G a l w a n • 109
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy ODE4MzY4