Revista Galwan - 2023

S eu filho está calmo, um doce de bebê, e do nada ele fica irritado, rebelde e arredio, com o sono alterado, quase insuportável. A boa notícia é que es - tas fases de irreverência acontecem quando eles adquirem novas habilidades como como sorrir, reconhecer pessoas, segurar objetos, rolar, sentar, entre outros. Como se não bastasse, por volta dos dois anos, depois de vários saltos de crescimento, ele entra na adolescência, o chamado Terri - ble Tows. E aí a coisa complica um pouqui - nho mais. É a famosa fase do “não”. Em que aquele anjinho ou anjinha se rebelam, se jogam no chão, na maior “birra”, diante de qualquer frustração. Na verdade este comportamento pode acontecer entre um ano e meio e três anos. A palavra de ordem para os pais é ter paciência, pois, mesmo com toda educação recebida até aquele momento, a criança vai passar por esta fase. Tudo isso não é motivo de preocupação. Estamos falando dos Saltos do Desenvolvi - mento Infantil, avaliados na prática clínica como marcos do desenvolvimento, que são habilidades adquiridas desde o nascimento até a adolescência. De acordo com a pediatra Edelweiss Bus - singuer P.Pegurin, professora Adjunto volun - tária do Departamento de Pediatria da Ufes, é um processo dinâmico que tem origem não só nas condições bilógicas relacionadas à matu - ração do sistema nervoso e à herança familiar, mas especialmente, no resultado das experiên - cias vividas através de estímulos e nas rela - ções com o meio ambiente, a interação com as pessoas do cuidado direto, como os pais e outros familiares, cuidadores, profissionais da creche/escola, do qual fazem parte aspectos afetivos, psicológicos, sócioeconômicos, cultu - rais e outros. “Tudo isto determinará mudanças nos aspectos motor, emocional, linguagem, sensorial (visão e audição), cognitivo, social e na construção de seu psiquismo”, explica a pediatra. As mudanças afetam não só os pe - quenos, mas também os pais. Para o psicólogo clínico infanto-juvenil, Da - niel Santana, é de suma importância os pais compreenderem e terem conhecimento sobre o que está se passando com o bebê. Todas COMPORTAMENTO INFANTIL O termo em inglês é a palavra que está na boca das atuais mamães e significa nada menos que a adolescência dos bebês, que vem na sequência dos saltos de crescimento VOCÊ JÁ TEVE QUE LIDAR COM O Terrible Tows? Cínthia Ferreira essas mudanças e variações comportamen - tais estão relacionados a aquisição e evolu - ção de novas habilidades, e não considerar apenas como birra ou comportamento ina - dequado. “É preciso estimular o seu desen - volvimento, ter paciência, conversar, criar e adequar novas rotinas, a família se envolver, e principalmente oferecer conforto e apoio, pois para eles tudo é novidade e se torna uma curiosidade também. O novo causa um certo estranhamento e receio”. E ressalta: “se está difícil e não sabe como lidar, procure ajuda, seja de um psicólogo ou do seu pediatra”, ex - plica o psicólogo. ALIMENTAÇÃO E SONO ADEQUADOS Para o crescimento e desenvolvimento infan - til, a alimentação e o sono são requisitos essenciais. Os pais devem sempre prio - rizar a rotina dos bebês, a partir dos alimentos in natura ou minimamente processados, valorizando a premissa de descascar mais e desempacotar menos, além de ter atenção com os horários do sono alerta a pediatra Edelweiss Pegurin. No caso do sono, é bom lembrar que é no período de descanso que as informações e experiências são processadas e incorpo - radas para que o apren - dizado de fato acon - teça. O que muda é a necessidade de sono de acordo com o cresci - mento. “O sono que deve ser de boa qualidade, conso - lida a memória, ainda mais nesta fase de desenvol - vimento”, comple - menta a pediatra. S INAL DE ALERTA Cada criança é única e terá o seu ritmo. No entanto, é importante que os pais acompa - nhem o desenvolvimento de acordo com mar - cos da faixa etária que se encontra. “Existem ferramentas bem estabelecidas para este fim, considerando a faixa etária e as habilidades esperadas com uma margem de flexibilidade. Os pais recebem na mater - nidade a caderneta da criança com orienta - ções sobre atenção à saúde, incluindo desen - volvimento, em tabelas com os marcos para cada faixa etária com o objetivo de auxiliá-los juntamente aos profissionais de saúde neste acompanhamento”, orienta a pediatra. Caso a criança não apresente o desenvol - vimento adequado a sua faixa etária, deverá ser avaliada com o objetivo de intervenção o mais pre - coce possível. O psicólogo in - fantil Daniel Dan - tas que podem existir situações fora da curva, tan - to para o comporta - mento quanto para habilidades. “Utiliza - mos os termos típicos ou atípicos, em que o desenvolvimento típi - co não apresenta nenhuma altera - ção, e o atípico é para a sinali - zação de crian - ças que que preci - sam de necessida - des e/ou cuidados especiais, tanto para défictis físicos quanto cognitivos e socioeducativos”, explica Dantas. COMPORTAMENTO INFANTIL 18 • R e v i s t a G a l w a n R e v i s t a G a l w a n • 19

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