Revista Galwan 2026

A ssim como o hula não é apenas uma dança, as canoas não são apenas barcos. O esporte faz parte da cultura havaiana, carregando ancestralidade e lutas de seu povo, que atua junto para um resul- tado. Da mesma forma, a prática do beach tennis não tem o rigor técnico do esporte originário, mas atrai cada vez mais pessoas pela socialização, pelo pertencimento e pelo combate à solidão. Quem pratica esses esportes coletivos é facil- mente identificado em seus meios sociais. Basta entrar para o beach tennis , para a canoa havaia- na ou até para o crossfit para fazer parte de uma “tribo”, de um grupo coeso, em que o desempe- nho depende da equipe e nunca apenas de um só. Já na primeira aula de canoa havaiana vem à tona a ancestralidade. O capitão ensina a entrar e sair da embarcação sempre pela es- querda. Também instrui sobre o estilo de remar, alongado e curto. E nunca se passa por cima de uma canoa. É preciso dar a volta nela para cruzar de um lado para o outro. Essa ritualida- de representa o esforço, o combate à preguiça e, principalmente, o respeito e a hierarquia. Não é à toa que o capitão, o tripulante que dá a direção do barco, costuma dizer: “Batam juntos”. O capitão Bruno Ferrighetto, da base Pi- rata’s Vaa, em Itapuã, Vila Velha, ensina a colocar e retirar o remo da água juntos, empurrando a canoa com o pé, para ela deslizar e avançar. A base Pirata’s sempre rema na direção das Ilhas Itatiaia, onde param para um descanso, antes de voltarem ao continente. É o momento mais esperado, a famosa parada na ilha. Ge- ralmente, tudo é registrado com muitas fotos que são lançadas no grupo de WhatsApp dos praticantes. Faixa preta em jiu-jítsu, o capitão Bruno Ferrighetto foi mordido pelo esporte quando ainda estava morando na Itália. “Meu irmão foi me visitar, disse que estava fazendo canoa e insistiu para eu experimentar. Não levei muita fé, mas fiquei curioso. Em pouco tempo, estava de volta ao Brasil empolgado em conhecer a canoa. Minha primeira equipe foi em 2011, no Clube Ítalo Brasileiro”, lembra. Bruno sai de um dos pontos mais “casca grossa”, a Guarderia de Itapuã, em Vila Velha, onde quem manda é a natureza. Ali, de frente para o mar aberto, as ondas “pocam” quase que incessantemente, e o vento e a ondulação do mar ditam se será possível colocar a canoa na água. “Sempre digo que um dos ensina- mentos da canoa é a hierarquia e o respeito à natureza. Ela é soberana”, conta Bruno. O nome Pirata’s virou sinônimo de família, de desafios, de união além das remadas, que no caso desta base é no free style , como opção de atividade física, socialização e estilo de vida. O grupo costuma se reunir também fora do Revista Galwan • 49 COMPORTAMENTO

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