Revista Galwan 2026
mar, em festas de confraternização que rendem muitas brincadeiras. “Já vi muita gente mudar
de vida estimulado pela canoa. Muitos alunos levam o símbolo dos Pirata’s ou o desenho de remos
tatuados no corpo”, diz o capitão. Antes de voltar das remadas, geralmente, é feita uma
oração, saudando a bênção de estar em contato com a natureza e imerso nas boas
práticas e lições de vida de um esporte que existe há mais de 3 mil anos. Carlos Aires,
o Carlão, carioca que veio para Vitória em 2007, já rema- va em uma equipe no Rio desde 2003.
Amigos que vieram visitá-lo trouxeram uma canoa OC2 no rack do carro, com capacidade para duas pessoas,
com a intenção de que ele ensinasse alguém a remar. “Vamos levar de dois lugares porque
você terá que ensinar alguém”, disseram eles, segundo conta Carlão. E foi o que ele fez:
chamou o parceiro Vi- tor Gava para remar na OC2. Logo, foram financiados em sua primeira canoa coletiva e,
assim, começou a proliferar o esporte no Esta- do. “Foi uma sociedade junto de Renata Rocha e Gustavo
Carvalho. A primeira OC6 chegou a Vitória em 2009”, relembra o capitão da Vitória Va’a,
Carlão. Ele diz que é impressionante ver canoas es- palhadas por guarderias, gramados e areias das
praias. “É interessante ver a dimensão que o esporte tomou no Estado. Vitória já é
a capital com maior número de remadores por habitante”, ressalta. E quem são esses remadores?
Carlão ex- plica que ali não há CNPJ. As pessoas se mis- turam e todos são iguais. Tem
juiz, empresário, policial, muitas mulheres de vários perfis pro- fissionais e idades. O que
conecta todos é a natureza, assim como o amor pelo esporte, que muitas vezes tira pessoas de uma
situação de depressão, falta de autoestima e sedentarismo. Certa vez, conta Carlão, o
grupo estava pas- sando embaixo da Terceira Ponte e uma das alu- nas parou de remar, mas ele a incentivou a
con- tinuar, mesmo que num ritmo mais lento, porque a equipe precisava dela. “A aluna voltou a remar e
depois me passou uma mensagem explicando que uma semana antes tinha tentado o suicídio na Terceira
Ponte e, quando passou no local, ela travou. Mas a canoa a fez ver o quanto era im- portante para o grupo.
Isso me arrepia sempre que relato”, diz emocionado. A canoa nada mais é que a semelhança com a
vida real das pessoas, e ele costuma falar sobre isso em palestras. “Há dias mais fáceis, outros
mais difíceis, dependendo do mar. Levo isso para a minha vida e para as Ver o nascer do sol do mar e a
interação dos participantes de canoa havaiana e beach tennis foram importantes para a rápida
expansão desses esportes Fotos: Divulgação 50 • Revista Galwan COMPORTAMENTO
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