Revista Galwan 2022

ECONOMIA M udanças de paradigmas costumam gerar certo desconforto. Apesar de compreensível, não deveria. O novo amplia possibilidades e permite no- vas alocações de recursos. As trajetórias econô- micas, por exemplo, são cíclicas, comprovando como o mundo é dinâmico. Há uma percepção generalista que diz: “o momento em que vive- mos está cada vez mais complexo”. Embora os incessantes avanços tecnológicos contribuam para esta nova realidade, é possível vê-la por outro prisma. Pelo viés histórico, imagine se tivéssemos nascido na França em fins do século 18, ou seja, no momento de insubordinação aos monarcas. Agora, na Inglaterra: virada do século 19 para o 20, época da Revolução Industrial, disrup- ção no modelo de trabalho e nova gestão do capital. Isso sem falar no século 20 pelo qual muitos passaram por duas grandes guerras, crash da Bolsa de Nova York, etc. A complexidade é relativa. Hoje, há muitas possibilidades. Vamos abordar o novo! O cenário e a velocidade das trocas cons- tantes têm feito muitas empresas repensarem estratégias com o intuito de atrair e desenvolver líderes com habilidades em criar novos modelos digitais, mobilizar as pessoas e, claro, promover a transformação cultural necessária com agilida- de. Analisar o per- fil da liderança de uma empresa, por ECONOMIA PAULO HENRIQUE CORRÊA é economista, é pós-graduado em Finanças Corporativas pela FGV/ RJ e mestre em Gestão Empresarial pela FGV/RJ. É agente de investimentos autorizado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e sócio da Valor Investimentos. MUDANÇAS DE paradigmas exemplo, é importante para uma boa decisão de alocação do portfólio de investimentos. Por falar em investimentos, historicamente a taxa de juros de curto prazo no Brasil sempre trouxe comodidade a quem possuía um “pé de meia”. Ironicamente, o juro de curto prazo tei- mava em afrontar o trilema dos investimentos: baixo risco, alto retorno e muita liquidez. Risco, retorno e liquidez revelam que um in- vestimento sempre terá que abrir mão de uma dessas três características. O curioso é que tal tripé era zombado pelo CDI, que teimava em superar os indicadores mais conhecidos do in- vestidor. Afinal, quem nunca ouviu falar que a bolsa perde para o CDI? Hoje, não é mais assim. Nos últimos cinco anos, tanto o IBX (índice composto pelas 100 maiores ações negociadas em bolsa) quanto o IBOV superaram o CDI em aproximadamente 11% ao ano. Uma diferença e tanto, que teve como pano de fundo a queda consistente da SELIC e do CDI. Como a maio- ria das empresas carrega dívida indexada ao CDI, é de se esperar que o custo da dívida te- nha caído. Também, a demanda por seus pro- dutos aumentou em consequência do crédito mais barato. Mais receita e menos custo é igual a mais lucro para as companhias. A taxa de juros real de curto prazo (Selic - Inflação), que costumava oscilar entre 2,0% e 4,0% ao ano, acabou cedendo para patama- res negativos nos últimos meses. Isso decorre do aumento da inflação na margem, trazendo uma mensagem bem clara: o Banco Central do Brasil estava tentando dar o máximo de estí- mulo possível para nossa economia. Assim, a tomada de risco faz sentido diante do "status quo" do mercado. Reside aí as oportunidades derivadas na diversi- ficação de portfólio via mercado acioná- rio, fundos multimercado, fundos imo- biliários, maior acessibilidade e opções em investimentos internacionais como as BDR’s (Brazilian Depositary Re- ceipts), ou seja, uma prateleira de produtos sob medida para cada perfil de investidor. A manutenção da Selic também provocou a retomada do mercado imobiliário, derruban- do ainda mais as taxas do financiamento ha- bitacional e atraindo quem desejava financiar um imóvel. As taxas de juros do crédito caíram quase pela metade nos últimos quatro anos. Permanecer diversificado tem permitido aos investidores a participarem de ganhos de ten- dência e ainda gerenciar o risco. Portfólios de empresas com ativos associados à sustentabi- lidade e à temática ESG (Environmental, So- cial, Corporate Governance) estão em plena expansão. Mudanças de paradigmas não devem gerar descon- forto algum. Antes, devem ser a força para as trans- formações essenciais em nossa sociedade. 68 • R e v i s t a G a l w a n R e v i s t a G a l w a n • 69

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