Revista Galwan - 2023

o termo Antropoceno com todo o peso que lhe envolve, em um espaço artístico que es - timula experiências poéticas, sensíveis, es - pirituais, corporais e também críticas. É um espaço de calma que conduz à contempla - ção de nossos tempos interiores. 5. Capilares, Julio Tigre (ES) Julio Tigre é Artista plástico e professor, gra - duado em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo. Tem desenvolvido pesquisas com linguagens tridimensionais e site-specific. Pesquisa a relação entre a cidade e a arquitetura através do estudo de residên - cias desocupadas. A obra Capilares resulta da combinação de dois aspectos identificados pelo artista: primeiro, a natureza planar do terreno, como um campo, ravina suspensa na parte alta dentro do parque, o que expõe as peças por mais tempo e com maior intensi - dade à luz solar. O segundo aspecto foi por se trata de uma área que sofreu uma inter - venção na vegetação, uma área degradada pela manipulação do terreno em função da construção do heliporto, tornando-se uma clareira aberta dentro do bosque. A clarida - de, aspecto presente na capacidade refletiva da cerâmica esmaltada, provoca, conforme o horário do dia, uma mutação no traba - lho que, ao contrário da rigidez e dureza do material, a torna móvel e maleável à expe - riência do olhar. ARTE e cinéticos, tanto nos movimentos gerados por força motora, quanto em sua forma estrutural e estética. Seu ritmo de rotação gera efeitos óp - ticos e a composição formal e de cores criam uma livre interação com o público. 3. Mangue, Fernando Augusto (ES) Fernando Augusto é artista plástico e docen - te na Universidade Federal do Espírito Santo Ufes. Em seus trabalhos pesquisa desenhos com cargas expressivas e paisagens que dia - logam com o subjetivo do espectador. Sua produção é baseada em desenhos de larga escala, murais e livros de artista. O "Mangue" tem formato de um tronco de árvore fazendo referência às raízes das vegetações, que ficam na parte superior de um mangue. Partindo de três ideias conceituais, a árvore como escultura, tendo como identificação a paisagem brasileira como perspectiva de criação; o diálogo com trabalhos de artistas contemporâneos, como Frans Krajcberg, Giuseppe Penone e Louise Bourgeios; e a experiência da poética de seus desenhos paisagísticos. A escultura busca chamar atenção para o próprio local onde está fixada, além de avan - çar uma pesquisa sobre a prática do dese - nho bidimensional para a tridimensionalidade, tratando o mesmo objeto das paisagens, a ár - vore, com uma identificação, a árvore-man - gue, como assunto capaz de exprimir ques - tões da nossa cultura e do meio ambiente, o elemento estrutural para a obra. 4. Iceberg [Antropobsceno], Fernando Velázquez (Uruguai-SP) Fernando Velázquez é artista, curador e pro - fessor. Investiga os dispositivos técnicos en - quanto agentes mediadores da percepção, com particular interesse nas estruturas, dinâmicas e narrativas que dão lugar aos paradigmas vigentes, nos processos criativos emergentes e generativos, e nas metodologias transdis - ciplinares. Sua produção inclui instalações, objetos, vídeos, performances audiovisuais e imagens geradas com recursos algorítmicos, que operam como suporte de narrativas que estimulam o espectador a um envolvimento ativo, por vezes interativo e ritualístico. O Iceberg um site-specific erguido com ci - mento, plantas, luz e neon, possui formas e di - mensões evocam uma espécie de templo primi - tivo de linhas básicas sem ornamentos, exceto pelo luminoso que faz brilhar no seu interior a palavra “Antropobsceno”. Este neologismo que dá título ao trabalho amplifica sonoramente ARTE Narcélio Grud (CE), Estação - Parque Cultural Casa do Governador Julio Tigre (ES), Capilares Fernando Velasquez (SP), Iceberg (Antropobsceno) Foto: Ignez Capovilla Foto: divulgação Secult ES Foto: Karatapa 42 • R e v i s t a G a l w a n R e v i s t a G a l w a n • 43

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