Revista Galwan 2026
REVISTA GALWAN – A SENHORA ASSUMIU BASTANTE O PROTAGONISMO NA CULTURA CAPIXABA. ACONTECEU NATURALMENTE?
Maria Virgínia Casagrande – Nasci no Centro de Vitória. Como meus pais eram por- tugueses e
costumávamos passear pelo Centro, fazíamos fotos nos monumentos das cidades, para enviar aos
parentes distantes em Portugal. Essa relação com a cultura veio dessa tradição familiar.
Naturalmente, cresci com esse olhar de ver os bustos históricos e as visitas constan- tes a locais como
Catedral Metropolitana de Vitória, Palácio Anchieta, Assembleia Legislati- va, hoje Teatro
Sônia Cabral. Quando o Renato ganhou para governador, pensei em abrir a residência oficial para
desfazer aquela ideia de distanciamento que tinha na minha infância sobre aquele local. E COMO NASCEU
ESSA IDEIA? Eu vinha à Praia da Costa quando crian- ça. O trajeto do Cen- tro até aqui era
longo e ficávamos na Praia da Sereia. Depois da Praia da Sereia, já era considerada a arreben-
tação, eram praias virgens. De lá da Sereia eu avistava a Casa do Governador e era um local
muito distante. Como não tinha ninguém da família nem amigos políticos, era um lugar
ina- cessível. Meu primeiro contato com a Casa do Governador foi ainda quando o Renato foi vice-
-governador, na administração de Vitor Buaiz. Quando eu entrei pela primeira vez foi aquela
exclamação: Ah, aqui é a Casa do Governador! Nunca imaginei um dia chegar aqui. O espaço
lembrava aquelas casas de veraneio, como em Guarapari, que ficavam um pouco abandonadas. Naquele tempo, a
Praia da Cos- ta era longe, não tinha a Terceira Ponte. Não era territorialmente habitada como
é hoje. A praia e esse entorno nos deixam felizes, por ter este pedacinho bucólico tão perto,
dentro de Vila Velha, mas ao mesmo tempo era mui- to distante das pessoas, assim como era para mim na minha
infância. Aí começamos esse movimento de abrir ao público, mas sempre mantendo essa
preocupação de ser uma área controlada, por ser um endereço oficial. E COMO VEIO O NOME?
O nome do parque nasceu desse imaginário das pessoas sobre o que é a Casa do Gover- nador. E
pensei: por que não abrir para as pessoas? Daí o nome Parque Cultural Casa do Governador. A
pergunta era o que oferecer nestes 80 mil metros quadrados, e pensei em um museu a céu aberto. Vinha
também a memória afetiva do que era o Parque Moscoso, onde cresci e estudei. Em parceria com a
Secult (Secretaria de Estado da Cultura), Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo) e Ifes
(Instituto Fe- deral do Espírito Santo), instalamos o parque. COMO FOI A TRAJETÓRIA DE CRIAR O
PARQUE? Hoje, o espaço é administrado pelo Instituto Ar- teCidadania (IAC). Antes de abrir, fomos
conhe- cer Inhotim, em Brumadinho (MG), e Usina de Arte, em Pernambuco. Nossa intenção sempre foi
criar um corredor cultural, trazendo artistas de outros lugares, assim como levando nossos artistas. Este
ano, participamos pela primeira De lá da Sereia eu avistava a Casa do Governador e era um local muito
distante.” 30 • Revista Galwan CAPA
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